quinta-feira, 1 de março de 2012

5º Dia – Tilcara – San Pedro de Atacama (435 km) – Que caminho maravilho. E que frio!!!

Resumo o dia hoje em uma só palavra: antagonismos.

Sabe aquele dia em que você passa por sensações opostas? Prazer x desprazer, confiança  x desconfiança e certeza x incerteza. Hoje, passei por momentos em que a temperatura caia 10 graus a cada 10min de pilotagem. As percepções da viagem mudavam a cada minuto. 


O dia de hoje amanheceu perfeito. Sol raiante, céu absolutamente cristalino unido à uma brisa  agradável, o que deixava a temperatura  amena. 


Pena que esse clímax do amanhecer sofreu um pequeno contratempo. Na saída do hotel, não fosse um movimento ´ninja´ com a perna esquerda, teria derrubado a jamanta. Chão de rípio realmente não combina com manobras de ré. 


Regra do jogo para uma jamanta de 220kg com bagagens laterais e 20l de combustível : Estando sentado na mesma , só  manobre para frente, e de preferência com o motor ligado e tracionado. Capiche?

É isso aí...

Após esse momento peculiar, peguei a RN 52 rumo à Susquez, cidade próxima da fronteira com o Chile. 
Saída de Tilcara rumo ao pequeno pueblo de Susquez.



Logo no início da estrada comecei a subir vertiginosamente até alcançar 4200m de altitude. A estrada era bastante sinuosa e tive  tomar cuidado com alguns trechos onde havia um pouco de óleo na pista, assim como  cascalhos na pista decorrentes de desmoronamentos.



Curvas até em formato de U.


A paisagem é belíssima,  apresentando uma mescla de cores, as quais parecem ter maior intensidade devido à luminosidade do sol,  claramente diferenciada na altitude.

Pelo caminho é fácil encontrar tropas de lhamas pastando as cercanias da pista.

Essa aqui não gostou muito de ser fotografada. No geral parecem ser animais bem dóceis.
 Há também algumas salinas, que atraem os fotógrafos de plantão. Como estou equipado com botas a prova d´agua, parei para tirar uma foto bem na salina . Ainda bem que trouxe meu tripé para esses momentos. Viajar sozinho tem dessas...


Salina tem uma leve camada de água que deixou a bota totalmente branca.
Após deixar a salina, eis que um habitante local me parou pedindo ajuda ao lado de sua moto. Imaginava que provavelmente pediria combustível, uma vez que nessa região há somente 2 postos em um raio de 400 km, e a possibilidade de não terem gasolina é bem alta. Não deu outra. O rapaz tinha até mangueira e uma garrafa para transferir o combustível.
Coloquei a mangueira no galão e lhe dei 2 litros de nafta.

Apesar de parecer, não achei que fosse oportunismo,  uma vez que ele insistiu em pagar. 

Um detalhe que vem me impressionando com relação aos povos indígenas da região é o quanto aparentam ser éticos e decentes. Até agora só tive boas impressões.




Após  foto batida por sua espôsa,  pediu a câmera para ver se estava bem na foto.


A viagem até a fronteira passa por diversos cenários andinos. O silêncio é fato que impressiona. Só se escuta um barulho forte do vento e algumas trovoadas onde há nuvens. Não há um único ser a 5000m. Bem....isso se não considerarmos o animal morto que encontrei na pista. O pobre coitado estava rodeado de garrafas de cerveja com um placa pendurada no pescoço.







Algumas fotos:


Nesse ponto já estava a mais de 4500m de altitude. O frio já incomdava.
Parada para abastecimento.




Tudo estava perfeito, apesar do frio e das núvens que se aproximavam. No entanto, próximo à fronteira, uma obra na pista desviou a rota em cerca de 10km para uma estrada de rípio. A estrada era boa, mas logo no início o solo estava muito  arenoso. Quase tombei a jamanta pela segunda vez no dia. Nesse momento não sabia se deixava a moto cair ou se colocava toda força na perna para segurá-la. Dizem que se ela tender a cair você deve deixar, de modo a evitar algum tipo de contusão nas pernas.
Bom, eu resolvi não a deixar tombar e a decisão provou-se acertada.

Estrada de rípio.As partes arenosas deixam a roda da frente sem suporte.
 Passado o pequeno sufoco, chegou a aduana. Dessa vez não fui muito bem atendido pelos oficiais lá de plantão. Inclusive, tive que esperar quase meia hora até que um ônibus carregado de ingleses despachasse com os oficiais. 
Realmente, a união Pinochet - Margareth Thatcher tornou o Chile atrativo aos ingleses. Têm aos montes por aqui. Nem parece que estou em San Pedro, e sim em Brighton. E o pior, são aqueles ingleses do tipo ´quiero ser Chê pero soy colonizador´.


Em Tilcara não vi uma única alma inglesa. Seria por conta das Malvinas? Bem, lá só vi mesmo um monte de ´bicho grilo´ Argentino.


Fronteira, logo após a aduana. Notem que há uma discrepância nas distâncias para S. P de Atacama entre a placa Argentina, que indica 160km,  e a Chilena que indica 157. Seria proposital? E Calama?Tem 30 km de diferença entre as 2 placas.




Após a fronteira, começou a pesadelo do dia. Vejam na foto acima as núvens carregadas. E olha que a fronteira fica a 4500m de altitude e no caminho a San Pedro a altitude aumenta em, pelo menos, mais 600 m. 


O frio sentido estava de rachar. Acredito que por volta dos -10 graus, apesar da temperatura girar em torno de 0. E para piorar, peguei quase 1 hora daquela neve fina , que me deixou completamente ensopado e duro de frio. 
Me arrependi amargamente de não ter comprado uma BM com heated grips. Minha mão ficou tão congelada, que nem nos tempos motociclísticos de Inglaterra , fiquei com a mão nesse estado.


Enfim, esse foi mais um antagonismo do dia. O êxtase da manhã se compensou com o sofrimento da tarde. E olha que além do frio, ainda havia pouco oxigênio por conta do ar rarefeito da altitude.

Nessa hora pensei 2 vezes antes de parar para tirar a foto. Mas havia prometido para mim mesmo que registraria todos os momentos.


No final das contas deu tudo certo. Me confortava o fato que seriam somente alguns kilômetros. Logo começaria a descer rumo aos 2500m de San Pedro.

Já descendo rumo à San Pedro.

Por hoje foi isso.

Mudei um pouco meus planos. Não vou ficar aqui em San Pedro ´marcando toca´. Acho que vou botar o ´pé na estrada´ rumo à Antofagasta.  No final das contas quero é andar de moto. Ficar estacionado com uma BM 1200 por perto, é definitivamente a escolha errada.

Quem tem moto sabe o quanto prazeroso é andar com ela. Quando chego nos lugares, não vejo a hora de montar na motoca de novo. 
E tem mais, a moto propicia uma absorção muito grande das diversas características dos lugares. Isso se dá pois além de ter uma visão panorâmica ao ar livre, ela ainda nos possibilita ter uma sensação real da temperatura , do cheiro e da audição. Todos os sentidos trabalhando para que se construa uma percepção do lugar.

Abs!!


p.s: perdão pelos erros de digitação. Por incrível que pareça, não tenho corretor no meu word English version.


Hotel em que me hospedei:Don Raul
Opinião: Péssimo

2 comentários:

  1. Lindas fotos!!!
    O relato estava otimo como sempre!
    bjs e boa viagem!

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  2. Cara! Sem comentarios! Q VIAGEM!!!!!!!
    impressionante! As paisagens... povos... estradas... lugares... as salinas...! cara... demais!
    mas nao deixe de conhecer e ficar (descanse) em san pedro! tem passeios bem legais!
    bom... aproveite! quer dizer... mais ainda!
    abs
    veiga

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